Blog do Kleber


Um mês dos infernos.

Já não nos é nada fácil arrumar tempo pra todas as nossas atividades. É compromisso familiar daqui, encontro e viagens com amigos dali, trabalho, estudo, futebol no estádio e na tv, cinema, música, ler, escrever, namorada (pra quem tem) e por aí vai. Mas, para alguns de nós, ainda há mais um complicador que toma uma boa quantidade de tempo: games. E hoje, seja para PC, X-Box 360 ou Playstation 3, qualquer joguinho bobo toma horas e horas de atenção total com suas histórias intrincadas, personagens cada vez mais complexos e, invariavelmente, muito sangue.

Pois Fevereiro será um mês dos infernos em termos de brinquedinhos eletrônicos. Infernos mesmo, no plural. Afinal, no dia 9 será lançado o aguardadíssimo "Dante's Inferno", da Eletronic Arts, em que o jogador controla o cavaleiro Dante pelos nove círculos do Inferno, como descritos no clássico "A divina comédia" de Dante Alighieri, para salvar sua amada Beatrice. Ação desenfreada no melhor estilo God of War, mas com o suporte de uma história tão espetacular e com gráficos de cair o queixo.

Aí vocês podem pensar "Pô! Você não dá conta de um joguinho?" Um sim. O problema é que, de uma paulada só, no mesmo dia, sai também a continuação do já cultuado Bioshock. Não bastasse ter que encarar Lúcifer e seus comandados, lá vamos nós de novo pra sensacional cidade submersa de Rapture caçar "Little Sisters" e usar todos aqueles poderes malucos e armas com aspecto retrô.

Em "Bioshock 2", agora o jogador controla um dos grandalhões "Big Daddy" que irá enfrentar não uma Little, mas uma "Big Sister" que se modificou e tornou-se a nova regente de Rapture. Quem jogou o primeiro sabe que se trata de um dos maiores games de todos os tempos em todos os sentidos. E como, normalmente, em franquias de jogos eles melhoram a cada versão, então é quase certo que vai ser difícil sair da frente da Tv nas próximas semanas.

Quando der, literalmente, pausa em um dos dois jogos, apareço por aqui pra falar com vocês.



Escrito por Kleber Macedo às 01h22
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Uma porçãozinha de Brasil no Oscar

Há tempos que o Brasil não emplaca nada no Oscar. E se "Lula - o filho do Brasil" não for indicado pelo menos pra melhor filme estrangeiro no ano que vem, é capaz de Lula ter mais que uma hipertensão e ir a público esbravejar sobre os males do império e tal.

Mas na premiação deste ano surgiu uma surpresa (pra mim pelo menos) na categoria filme de animação.

Trata-se do europeu Brendan and the secrets of Kells que conta a história de uma lenda irlandesa. Por aqui o filme ficou pouquíssimo tempo em cartaz e seus horários o fizeram passar despercebido.

O que pouca gente sabe é que boa parte da animação foi feita no Brasil pela Lightstar Studios , dos mesmos donos da antiga Academia de Animação, hoje Art Academia, onde estudei e agora me aventuro como professor. O que importa é que, indiretamente, tem Brasil no Oscar de 2010.

Outro indicado, esse mais previsível que estaria mesmo, "A princesa e o sapo" também teve cerca de dez minutos produzidos no Brasil pelo estúdio HGN.

Não me surpreenderá ver dentro em breve uma co-produção ou, quem sabe, uma produção nacional de animação disputando ou, pelo menos, pré indicada ao Oscar. Espero que seja um em que eu trabalhe.

Enfim, um parabéns ao pessoal que ralou nessas produções e que só confirma que talento temos. Falta mesmo é um pouco mais de coragem dos estúdios de se aventurarem a produzir algo que não só publicidade.



Escrito por Kleber Macedo às 02h18
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O ser e o nada.


É mesmo impossível ser feliz sozinho? Ou, melhor ainda, é impossível ser feliz sozinho, sem casa, sem carro e sem compromisso de espécie alguma a não ser com seu trabalho? Para Ryan Binghan, personagem de George Clooney no novo filme de Jason Reitman "Amor sem escalas", sim, é perfeitamente possível.

Ryan tem um trabalho incomum e que exige viagens diárias praticamente o ano todo. Sua empresa vende pacotes de serviços demissionais o que inclui, se o contratante não tiver coragem, um especialista em despedir funcionários, o que ele faz com absoluto sucesso. Bacana não? Tem que ter muito desprendimento mesmo pra se fazer um trabalho desses. E isso não falta a Ryan e às raríssimas pessoas que se tornam próximas dele durante o filme. Com tanto tempo voando de um aeroporto a outro e com esse suposto vazio em sua vida, estabelece como meta acumular dez milhões de milhas. E isso é tudo que lhe importa.

"Amor sem escalas" (no original Up in the air - o pessoal que cria títulos em português as vezes não tem um parafuso, mas uma caixa de ferramentas inteira a menos na caxola) é um filme extremamente adequado ao seu tempo, além de sofisticado e muito maduro. Relacionamentos cada vez mais superficiais, solidão, casamentos indo para o espaço, pessoas cada vez mais tentadas a morar sozinhas, o conflito entre carreira e uma vida livre de diversas convenções sociais contra relacionamentos estáveis e o terror de uma vida toda planejada entre tantos outros dramas da vida moderna marcam presença neste baita filme.

Adaptado do livro homônimo de Walter Kirn, o filme conta ainda com a competência de todo seu elenco principal (além de Clooney, Vera Farmiga como Alex Goran e Anna Kendrick como a treinee Natalie Keener, todos indicados ao Oscar) em atuações impecáveis e diálogos que o destinam à clássico quase à altura de um "The Apartment". A sequência em que Ryan e Alex se conhecem e o papo entre Alex e a jovial Natalie configuram cinema de altíssimo nível. Se tivéssemos uns cinco filmes deste calibre por ano, seríamos todos um pouco mais espertos. Infelizmente, não é caso.

Não é tempo ainda de fazer minhas apostas para o Oscar mas, certamente, "Amor sem escalas" entra forte na briga por boas estatuetas. Tivessem os votantes da Academia algo entre 30 e 40 anos, roteiro adaptado, diretor e melhor filme estariam provávelmente garantidos por identificação. Mas isso não importa. Mesmo que não leve nenhum prêmio não deixará de ser um dos melhores, senão o melhor filme nas telonas por aqui em 2010.



Escrito por Kleber Macedo às 01h51
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Não custa nada lembrar.

Dias 19 e 26 de fevereiro não percam a reapresentação dos já clássicos Toy Story 1 e 2 em 3D.

Eu sei, eu sei. Tudo mundo já viu umas 38 vezes cada um. Mas agora é em 3D né. É o raro caso de algo ótimo ficar ainda melhor.



Escrito por Kleber Macedo às 01h50
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Pobre garoto biônico.

Não sou nenhum escolado no universo de Osamu Tesuka e de um de seus principais personagens, Astro Boy, que teve um longa metragem de animação lançado na última sexta-feira, dia 22. O pouco que conheço vem apenas dos muitos episódios que vi de uma série animada do menino biônico que passava na televisão há cerca de duas décadas atrás. Por causa do longa, fui pesquisar mais um pouco e... batata. O filme dá uma bela distorcida na origem desse simpático herói mirim.

Na essência, a bem da verdade até que o longa corresponde a alguns fatos de sua origem no mangá. Astro Boy foi construído pelo Ministro da Ciência de Metro City, Dr. Tenma, para substituir seu filho Tobio. Mas o robô, mesmo que sendo idêntico ao garoto morto, não consegue preencher o vazio de Tenma e é mandado embora. O problema para Astro entretanto, é que sua fonte de energia provém de um pedaço de meteorito que estava sendo usado em pesquisas militares, o que vai deixar o chatíssimo Presidente de Metro City, que só pensa em sua reeleição, implacávelmente no seu encalço.

Nada de errado com o enredo de fato. Mas como as coisas são construídas é que é o problema do filme. Desde o sumiço de Tobio até o final, é um festival de informações e personagens jogados de forma superficial e sem muita explicação. Metro City, por exemplo, é um país que se isolou da Terra por ela ter se tornado insustentável. E quando você pensa que a superfície terrestre é um mero depósito de lixo robótico de Metro City, Astro Boy cai por aqui e... há muita vida humana, verde e tudo mais que você imaginar normalmente na Terra. É o suficiente pra você dar uma bela coçada na cabeça e se perguntar "onde foi que eu pisquei?" Tudo o mais vai mais ou menos nesse caminho.

Esse é um problema recorrente do estúdio Imagi, responsável pelo longa. O mesmo aconteceu com As Tartarugas Ninjas, de 2007. Tudo muito bonito tecnica e visualmente, bem animado e com personagens muito legais mas, a história, um desastre. Astro Boy ainda sofre das constantes piadinhas nível Zorra Total que parecem querer desafiar a inteligência do público. E algum gênio teve a brilhante ideia de enfiar três robôs de um tal grupo chamado "Robôs Revolucionários Fanáticos", espécie de libertários que desejam livrar os andróides da escravidão humana e que eram pra ser os engraçadinhos do filme. Podiam ter investido o dinheiro de suas cenas em mais lutas e voos de Astro que a falta dos três não faria absolutamente a menor diferença.

Nada supera, no entanto, o final do filme. É tão desastroso que não vou contar. Devia, mas não vou. Vocês têm que ver por conta própria. Mas é, no mínimo, um chute nas partes baixas do espectador.

Como alento, o próprio Astro Boy se salva. Simpático, destemido e dramático na medida certa, faz justiça à criação de Tesuka. Porém, embora consiga carregar sozinho nas costas até mesmo toda Metro City, infelizmente o pequeno herói não pôde fazer o mesmo com seu próprio filme.



Escrito por Kleber Macedo às 01h41
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Independente vs. Richarlyson ou, como acabar com um domingo de futebol.

Não via a hora de começar a temporada brasileira de futebol deste ano. Gosto muito de futebol europeu também, que tem muito jogo no final do ano, claro. Mas não dá pra acompanhar com a mesma frequência e, na Europa, não tem o São Paulo. Então muda tudo.

Pois bem. Domingo passado, 17 de janeiro, começou mais um Campeonato Paulista. E toda a expectativa se tornou decepção em questão de minutos. E não foi só pelo resultado final, uma sapatada de 3x1 para a Portuguesa. O pior aconteceu muito antes, pouco depois de entrar na arquibancada.

Quase todo jogo há uma espécie de ritual muito legal, do qual faço questão de participar. Assim que o time entra em campo, a torcida inteira grita o nome dos jogadores titulares daquela partida. Não importa a procedência, o histórico, onde eles tenham jogado anteriormente, se sabem ler ou escrever, se são brancos, negros, asiáticos ou se são bons ou ruins. A mensagem nesse momento é "estamos com vocês e, apesar de qualquer coisa, nós os adoramos". Lógico que, em dez minutos, tudo pode mudar e um ou outro começar a ser vaiado.

E a decepção, na verdade, foi causada estranhamente nesse momento de celebração antes de começar o confronto contra a Lusa. Quem puxa o côro dos nomes é a Torcida Independente, uma das torcidas uniformizadas do São Paulo que tanta confusão já causou pela cidade como tantas outras de outros times. E há algum tempo ela não grita o nome de Richarlyson. Os porquês todo mundo já deve imaginar. Para quem não sabe, muitos deduzem que Richarlyson seria homossexual, o que ninguém prova e ele mesmo não confirma. Se é ou não, isso não importa aqui. Mas contra a Portuguesa, passaram da conta e lhe fizeram uma rima que não merece ser levada à público.

Não gosto de Richarlyson como jogador. Acho limitado tecnicamente, erra muitos passes, as vezes tenta sofisticar uma jogada simples e normalmente perde a bola e tem marcado mal. Quando joga simples e de volante, na marcação, como na temporada de 2007, é útil. É voluntarioso, polivalente, corre muito o jogo todo, nunca reclamou de nada e é excelente profissional. Naquele ano chegou até a ser convocado para a Seleção Brasileira. Daí pra frente se tornou irregular. Não é um grosso mas não acho que tenha futebol pra jogar num clube de ponta.

Tudo isso que disse acima justificaria que a torcida pegasse no seu pé, que não gostasse que ele fosse titular ou que não sentisse a menor falta dele caso fosse pra outro time. Eu mesmo já o xinguei várias vezes mas sempre gritei seu nome antes dos jogos. Afinal, essa atitude de desmerecer o jogador do próprio time, o que já é um absurdo por si só, parte só da Independente, que fique bem claro.

Mas não é por isso que a torcida tem lhe perseguido. E olha que ele nem começou mal a temporada marcando, inclusive, um belo gol contra a equipe do Mirassol na segunda partida. De maneira baixa, rasteira, preconceituosa ao extremo, nojenta e tantos outros adjetivos negativos que vocês quiserem colocar, a Torcida Independente destratou Richarlyson como nunca haviam feito antes do jogo diante da Portuguesa. Se fechassem o setor destinado à essa torcida e levassem todos presos seria pouco.

E se todos eles tivessem evidência inquestionável da homossexualidade do jogador? Tanto faz. Nada justifica o comportamento lamentável da Independente. Richarlyson e qualquer outro jogador somente podem ser avaliados e criticados pelo que fazem dentro de campo. Fora dele, apenas pode-se condenar algo que comprometa seus rendimentos. Ou alguém não ouve Queen porque Freddie Mercury era gay? Ou Judas Priest por causa de Rob Halford? E quantos escritores, pintores, músicos e atores que, no mínimo, jogavam nos dois times mas que nunca foram menos admirados por isso? Só sei que depois da rima feita para Richarlyson, só não virei as costas enojado e fui embora porque o São Paulo e seus atletas são muito maiores do que isso. E se eu acreditasse em punição divina, diria que tomar um chocolate da Lusa foi uma pena até branda.

Se ele não é homossexual, então tem um caráter e tanto pra suportar tudo que vem ouvindo de outras e, agora, da própria torcida e, ainda assim, atuar sem se incomodar nas partidas. Se é, e igualmente não se importa com o que lhe dizem e já sobrevive há anos dentro de um universo tão troglodita quanto o do futebol com a maior discrição, sem que haja a menor manifestação por parte de seus companheiros de que ele tenha tido algum comportamento que não seja compatível com um ambiente profissional, aí é caráter que todos os integrantes da Independente juntos não teriam.

Não há muito o que se esperar também de um grupo que se diz "Talibã", que já chamou Rogério Ceni e Luis Fabiano de pipoqueiro e que quase todos os gritos remetem a dar porrade nessa ou naquela outra torcida. Já Richarlyson acabou de completar 200 jogos com a camisa do São Paulo, coisa rara ultimamente, contra o Rio Claro. Tranquilo, se elevando à chateação que lhe causaram no primeiro jogo e se demonstrando muito contente com a manifestação positiva do restante da torcida, até que jogou bem. E, aparentemente, esse grupo de bufões ainda vai se calar por um bom tempo quando forem gritar o nome dos jogadores e chegarem ao camisa 20, porque Richarlyson não parece querer sair tão já do clube. Pior pra eles. E para os demais torcedores e para o time, nada muda. Segue o jogo.



Escrito por Kleber Macedo às 02h00
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Em manutenção.

Estou devendo novidades por aqui. É porque o cérebro ainda está em letargia. E como voltei a trabalhar, a questão tempo também está pesando um pouco. Então digamos que minha cabeça está em manutenção, caçando ideias sobre o que escrever e de como dar uma variada nisso aqui a fim de que não fique muito voltado pra "minhas impressões sobre o filme tal", o que torna o blog meio pretensioso demais, acho. Aceito sugestões.

De qualquer maneira, provavelmente volte falando sobre Astro Boy, longa metragem do persongem clássico de Osamu Tezuka que estreia nesta sexta-feira. Talvez arrisque algo sobre Paulo Francis, que foi tema de um documentário que entrou em cartaz em São Paulo em uma, isso mesmo, uma salinha apenas. O documentário é bom, mas ele merece mais, muito mais. Aliás, me salta um pouco mais as veias na testa ao comparar a quantidade de salas destinadas à Lula - O filho do Brasil e à Caro Francis, o documentário do qual falei. Tratar disso pode causar depressão profunda e aniquilar qualquer resquício de esperança.

Vamos ver se dá pra tratar mais de música, mais de livros, mais de política, já que esse ano tem eleições e o pessoal fica um pouco mais alerta, mais futebol, com Copa do Mundo a caminho, mais sobre animação e, com sorte, ter alguns trabalhos próprios de animação para postar e ser eu, também, a vidraça.

Como dica, vejam o divertidíssimo Sherlock Holmes. O melhor filme de Guy Ritchie com atuações impecáveis de Robert Downey Jr. e Jude Law. Downey Jr. aliás, parece ter entrado definitivamente nos eixos e, a continuar assim, se tornará inalcançável na sua geração. Mas só veja esse, claro, se já viu Avatar. Também, se não viu ainda a futura maior bilheteria de todos os tempos, ou está em outro planeta ou, desculpe, tem algum problema muito sério. Sorte que ele ainda deve ficar mais um bom tempo em cartaz.

Viram só? A letargia já está passando. O que era só pra ser um aviso de poucas linhas, se tornou alguns parágrafos que até têm um certo sentido. Já já a boa forma volta e teremos mais absurdos por aqui. Afinal, como diria Philip Roth em A pastoral americana: "Escrever é errar. É errar constantemente".

Até breve então.



Escrito por Kleber Macedo às 02h15
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O "mais maldito" ganha prêmio da APCA.

Os caras mal voltaram - hoje estão no décimo programa apenas - e já estão arrebatando prêmio. O "Garagem" recebeu há algumas semanas o prêmio de melhor programa de rádio na internet da APCA (Associação Paulista dos Críticos e Arte), para surpresa absoluta dos apresentadores André Barcinski e Paulo César martin. Tanto que eles foram avisados por um ex colaborador do programa, Álvaro Pereira Júnior, e acharam que estavam sendo sacaneados, até verem os vários e-mails de felicitações.

Então, como eles diriam, "animais", acessem www.showlivre.com.br/garagem e ouçam os programas. É diversão e barulheira de qualidade garantida. Recomendo, de cara, os dois programas com os BG's mais bizarros da história. São de chorar de rir.



Escrito por Kleber Macedo às 00h52
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Os cinco filmes de 2009 que vão pra coleção e serão vistos muitas vezes.

Sou meio viciado em listas de "top five". Culpa de Nick Hornby e Stefen Frears e suas versões de Alta Fidelidade, livro e filme respectivamente. Então não deixarei que vocês escapem da minha lista de "top five" filmes bacanas de 2009. Não que vá mudar alguma coisa na vida de quem ler quais são os cinco filmes mais legais do ano pra mim. Mas que eu tenho a ligeira impressão de que algumas pessoas que vêm buscar alguma informação sobre os filmes vistos vão dizer "Hummm! Este está na lista de melhores e eu não vi?", isso tenho. Ou pior, "Hummm! Está na lista de melhores dele? Então vou passar longe!". De qualquer maneira, não vou deixar de prestar algum serviço.

Então chega de digressões e vamos à tão esperada lista, num ano que foi muito bom em ficção-científica e também teve comédias bem legais.

O quinto lugar vai ficar com o grupo de amigos que caíram na mais maluca noitada de despedida de solteiro em Las Vegas. "Se beber não case" (The Hangover) foi disparado, pra mim claro, a melhor comédia do ano. Personagens ótimos, bem construídos e divertidíssimos, história muito bem amarrada que te deixa a todo momento se perguntando que diabos de explicação vão dar para cada coisa (e não são poucas situações inusitadas em que eles se enfiam) e a impagável sequência das fotos no final que quase faz você devolver a pipoca, no sentido mais escatológico da coisa, de tanto rir. Na minha lista, brigou pau a pau com Distrito 9, o que não é pouca coisa.

Um pouco acima, em quarto, fica a sensacional história do ranzinza Carl Fredricksen e sua viagem incomum para a América do Sul tendo a própria casa como transporte e a companhia do seu extremo oposto, o garoto escoteiro Russell, em mais uma obra prima da Pixar, "Up - Altas aventuras". Já se foram umas seis vezes que vi o filme e, a cada vez, só concluo com mais propriedade que se trata do mais sentimental do estúdio.

Já no pódio, no lugar um pouco mais baixo mas não menos honroso, vem "500 dias com ela". Uma obra absolutamente original, divertida, com atuações impecáveis e Zooey Deschanel e Joseph Gondon-Levitt e trilha sonora de primeira. Simplesmente chegou a aparecer no retrovisor de Alta Fidelidade, que é imbatível no quesito cultura pop. O que também não é pouca coisa. Diálogos inteligentes que não soam pretenciosos ou espertos demais, o estilo narrativo sofisticado, as viradas surpreendentes na história e a mensagem positiva no tom exato são mais alguns ingredientes que justificam a posição e sua qualidade de uma pequena pérola num oceano de falta de criatividade.

Medalha de prata, que a bem da verdade reinou no primeiro lugar até os 45 do segundo tempo, Star Trek é não só um grande filme. Todos sabem o legado que esse título traz, e fuçar nesse vespeiro poderia mandar o diretor J. J. Abrams para os confins do anonimato e gerar uma horda de pessoas querendo matá-lo. Só que o cara tem cojones e, melhor, é um baita diretor. Não por acaso o melhor Missão Impossível saiu de suas mãos. E não teve uma só crítica negativa ou reclamação de fã sobre a origem da tripulação da famosíssima Enterprise. Isso porque Abrams foi de um cuidado e um respeito extremo á série e filmes originais, adaptando toda a ambientação a um novo design sem perder as características. Os personagens, então, estão fidelíssimos e contam com atuações bastante criteriosas. A história tem um ritmo inovador para a série, mas sem ser estridente ou acelerada demais e carrega um tom cômico na medida.

No topo do pódio, acho que não resta dúvida, o bilionário Avatar, claro. E como o texto sobre a colossal aventura dos humanóides felinos azuis contra os humanos para defender seu planeta ainda está morno, então vou parando por aqui. E se você ainda não viu Avatar porque seguiu meu conselho e quer ver em IMAX, esqueçam o que eu disse. Vá em qualquer cinema 3D mesmo. Mas em 3D, disso não há como escapar. O filme é bom demais do mesmo jeito. Aí deixem pra ver uma segunda vez em IMAX, quando sobrar lugar, porque esse é o tipo de filme que fica melhor a cada vez que você o vê.



Escrito por Kleber Macedo às 00h39
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Um passeio aos tempos áureos do cinema com Ruy Castro.

Certamente as pessoas que passam por este blog já viram, de alguma maneira, a emblemática cena de Gene Kelly em Cantando na chuva. A canção homônima do filme então, como esquecer? E aquela imagem bad boy dos anos 50 de James Dean em Juventude Transviada? Tenho certeza, também, que já ouviram falar alguma vez de John Wayne, Rita Hayworth, Fred Astaire, Marlon Brando, Judy Garland, Woody Allen, Bette Davis e Stanley Kubrick, nomes que fazem o título de alguns filmes clássicos saltar em suas cabeças.

Esses são alguns dos poucos personagens do cinema entre muitos, muitos outros, que são retratados no livro "Um filme é para sempre", coletânea de 60 artigos do jornalista e biógrafo Ruy Castro organizado por Heloisa Seixas. São mais de 400 páginas em que Castro comenta situações de bastidores de muitos clássicos inquestionáveis do cinema, principalmente americanos, conta histórias deliciosas dessas produções, de suas estrelas, executivos dos principais estúdios, diretores, produtores entre outros profissionais do meio, sem deixar de declarar sua paixão incondicional à certos filmes e muitos de seus protagonistas.

O livro reúne artigos publicados na imprensa entre 1976 e 2006 e é uma aula de história do cinema. Nos textos bastante despojados e com a interessantíssima divisão dos artigos por temas, é possível perceber como havia muito mais glamour, charme, substância e inteligência no cinema em décadas anteriores. "Durante muitas décadas, A malvada foi o recordista solitário de indicações para o Oscar: quatorze categorias, vencendo seis, entre as quais as de melhor fime, diretor e roteiro. Tiveram de esperar 48 anos para que, em 1998, outro filme empatasse com ele no número de indicações: Titanic - e isso não lhe diz aluma coisa sobre a bestial infantilização do cinema?" diz Castro no livro. E não para por aí. "Um planeta que permite a um artista como Woody Allen continuar trabalhando não poe ser mau de todo", dispara em outro artigo em que elogia o diretor de Annie Hall, Hannah e suas irmãs e A rosa púrpura do Cairo entre tantos outros. E são apenas duas pequenas demonstrações do vigor dos textos que podem nem sempre soar tão elogiosos.

Os grandes musicais da MGM (Metro Goldwin Mayer Studios), pincipalmente da fase do produtor Arthur Freed, recebem atenção especial. Um capítulo inteiro, aliás, é dedicado ao incomparável "toró mágico", como ele classifica Cantando na chuva. Mas daí para um artigo sobre os títulos bizarros em português ou sobre os grandes filmes que nunca foram feitos, é um pulo. E em qualquer página que você abrir o livro, qualquer texto aleatório que se pegar, já vale o preço. O resto é lucro.

Duro, ao começar a ler, é segurar-se pra não sair comprando por atacado os grandes clássicos citados em DVD, e voltar no tempo para se ter a mesma sensação do autor ao conferir a insanidade de Dr. Mabuse ou de W. C. Fields, as coreografias de Gene Kelly e Fred Astaire, as pernas de Cyd Charisse e outras tantas cenas e personagens que, sem querer, a habilidade e a paixão de Ruy Castro lhe convencem a ver.



Escrito por Kleber Macedo às 20h55
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É simples, é belo, é emocionante, é 3D. É Avatar, cinema dos bons.

Mau deu tempo de se acomodar na cadeira do IMAX por ter chegado bem em cima da hora. As luzes se apagaram e o rufar de tambores com o logo da Fox na telona já arrebentou,  assim, sem trailer nem nada. Não deu tempo de tomar um fôlego, o que se repetiria pelos próximos 162 minutos de Avatar.

E nesse tempo, o que se vê, é uma das mais vibrantes e imersivas experiências cinematográficas dos últimos anos.

Mesmo com uma estrutura simples, até previsível em determinados momentos, e com todos os elementos que podem fazer um filme naufragar como o vilão caricato e esteriotipado, o herói redimido, a mocinha valente, o romance inevitável e o bem triunfando no final, James Cameron construiu tudo com tamanha competência na execução, que tudo isso vira contra o espectador. De previsível e simples, você se pega literalmente torcendo pra que tudo que você acha ou sabe que vai acontecer, aconteça de fato. E isso diferencia um filminho de um filmaço.

Uma empresa de mineração se instala no hostil planeta Pandora para extrair um minério extremamente valioso. E decide fazê-lo a todo custo, nem que tenha que botar abaixo tudo que tenha raiz e respire no tal planeta. E não há o menor problema em fazê-lo para o comandante das operações, o bélico, no melhor estilo Apocalipse Now, Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang). O ar é tóxico, os habitantes extremamente selvagens e os Na'avis, os seres azuis de três metros de altura que vivem no planeta, não querem nem de longe ouvir falar em violar a natureza, tão sagrada para eles. Está desenhado um conflito que já conhecemos tão bem na própria história da humanidade e que só pode acabar de uma maneira: guerra.

E pra quem ainda não sabe o que diabos é Avatar nessa história toda, é tão somente uma outra representação física para uma personalidade. No caso, estudos combinando o DNA de humanos e Na'avis,  faz com que os primeiros entrem numa câmara, durmam, e assumam o seu avatar em forma de Na'avi e, assim, poder explorar melhor o ambiente de Pandora.

E não poderia haver metáfora melhor. Principalmente para Jake Sully, o fuzileiro paraplégico interpretado por Sam Worthington, que entrou muito por acaso na coisa toda. Você dorme numa realidade guiada por máquinas, bombas, naves e pessoas estupidamente gananciosas, e acorda num mundo pra lá de mágico, colorido, desconhecido, com seres maravilhosos e em que quase tudo brilha, com um corpo gigantesco e ágil. Mais uma grande sacada do filme.

No caminho em que Jake vai aprendendo os costumes dos Na'avis junto com a guerreira Neytiri (Zoë Saldana, que já foi a Uhura de Star Trek este ano. Tá bem no meio da ficção científica a garota?), o que se vê são cenas absolutamente deslumbrantes de Pandora, a importância da conexão com a natureza praticamente New Age mas tão em voga ultimamente, e cenas de ação de tirar o pouco fôlego que lhe resta. A batalha final então, é de fazer Michael Bay ficar com vergonha a ponto de mandar recolher todos os DVD's e Blurays de Transformers das lojas. Aprenda, infeliz.

Mas Avatar não terá o mesmo impacto, talvez, se não for visto em 3D. De preferência no IMAX. Nada de coisas saltando o tempo todo da tela. 3D não é isso. A intensão é de te colocar dentro do mundo fantástico de Pandora. E isso James Cameron conseguiu muito bem. Você consegue sentir toda a textura do lugar, e até partículas no ar parecem tão reais e verossímeis, que você acha que, se respirar, aqueles troços vão entrar no seu nariz. E não há momento em que você consiga dizer "isso é computação gráfica", embora se saiba que quase tudo é. Fora a captura de movimentos para os personagens que está impecável. Definitivamente, tudo está vivo como nunca esteve num filme deste tipo.



Não sei se chega a ser revolucionário. Mas que alguma coisa mudou, mudou. Avatar talvez marque a rendição definitiva do cinema ao 3D e um novo parâmetro em termos de computação gráfica. E embora tudo isso seja muito importante para boa parte das produções hoje em dia, não é só isso, claro, que faz um grande filme. Pelo contrário até. Pode-se suprir muita falta de inteligência com efeitos a dar com pau. Exemplos disso não faltam. James Cameron correu todos os riscos para que isso acontecesse mas, felizmente, todo o aparato tecnológico só serviu mesmo de ferramenta e, em todos os sentidos, o bom cinema venceu e fez de Avatar um filmaço.



Escrito por Kleber Macedo às 21h40
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Avatar está chegando. E sobrevivemos até sua estreia.

Sob muita pressão, criei este blog principalmente para divulgar trabalhos pessoais. Como este ano não foi muito produtivo, acabei aproveitando o espaço como extensão da escrita de um roteiro para continuar escrevendo sobre qualquer coisa, só pra não perder o pique e ter um objetivo quase que diário. Mais ou menos como a personagem Julie Powell, representada por Amy Adams, e seu blog de experiências culinárias no delicioso Julie & Julia (quem não viu, veja, e depois vá a um bom restaurante comer sem culpas).

E lembram-se do primeiro post deste humilde blog? Tratava do Avatar Day, evento promovido pelo diretor James Cameron em todo o mundo para divulgar seu novo projeto e que exibia 15 minutos do filme. E lá eu dizia que esperava ter uma meia dúzia que fosse de valentes leitores até o lançamento do filme para falar dele.

Sinceramente? Achava que o treco ia chegar numas 50 visitas (umas 30 minhas), eu iria desanimar e, além de não dizer nada sobre Avatar, que ao que tudo indica será o estrondo previsto aqui, este blog se tornaria mais um punhado de kbytes relegado ao esquecimento como tantos outros.

Mas não sei o que houve. Só sei que mal deu tempo de comemorar 500 visitas e lá vai o contador firme e forte rumo à mais uma centena. E por mais que tente não pensar nisso, fico realmente curioso pra saber quem são essas bondosas criaturas que andam entrando por aqui atrás, talvez, de alguma pequena quimera ou de algum exemplo de como não se escrever sobre filmes. Vai saber. Mas acho que estão encontrado algo útil de uma forma ou  de outra. Ou será que são a meia dúzia que sei que aparece regularmente por aqui clicando F5 sem parar? É uma hipótese.

O que importa é que la resistance triunfou. E nesta sexta-feira, finalmente, Avatar chega às telas. E a ansiedade já está batendo, tanto para vê-lo quanto para chegar logo depois em casa e esfolar os dedos no teclado, justificando a provável relevância da megalomaníaca obra de James Cameron e a atenção de vocês, que fizeram valer chegar até aqui.

Que venha logo sexta-feira, que todos venhamos a nos divertir muito com o filme e que o contador do blog continue subindo. Porque posso estar contente com os números, mas não satisfeito.



Escrito por Kleber Macedo às 05h15
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A Princesa e o Sapo: a Disney no seu devido lugar.

 

Os anos sem produzir longas em animação tradicional para a telona e a troca de algumas cabeças arejaram e fizeram um bem danado para a Disney. Prova disso é seu novo filme “A Princesa e o Sapo” que, quando vocês lerem este post, já estará em cartaz e que traz o estúdio do ratinho de volta a sua velha forma.

E quando digo boa forma, é na mesma pegada dos ótimos “A Pequena Sereia” e “A Bela e A Fera”, que também revigoraram o estúdio na decada passada. A exemplo desses clássicos recentes, A Princesa e o Sapo tem um ritmo muito bom, suas canções passam longe de serem chatas, ajudadas principalmente pelo fato de a história se passar na Nova Orleans dos anos 1930, quando o povo já gastava, havia um bom tempo, os sapatos ao som dos cobras do jazz, os personagens são extremante simpáticos, principalmente a protagonista Tiana e sua amiga híper-ultra-mega-superativa Charlote, as coreografias musicais são lindíssimas e visualmente o filme é um desbunde.

Tiana é apenas uma garota humilde com dons culinários que, obstinada e sempre fiel aos ensinamentos do pai, sonha em abrir seu próprio restaurante. E trabalha feito doida pra tanto. Ou seja, nada de vitimismo e de conseguir as coisas sonhadas por vias fáceis, porém tortas, como vocês verão. E a Disney, como ninguém, consegue refrescar nossas memórias sobre esses e outros valores sem ser cafona e de forma divertida.

Como quase sempre acontece em nossas vidas e como toda escolha demanda uma perda, a voracidade de Tiana em conseguir seu restaurante deixa sua vida social em frangalhos e conhecer o “homem da sua vida” então, nem lhe passa pela cabeça. E lógico que o superficial Príncipe Naveen, que aporta em Nova Orleans, não lhe passa de mais um galanteador a ser ignorado. Ela não tem tempo pra isso. Será preciso que o distraído se meta com Dr. Facilier, também conhecido como “Homem Sombra”, um mandingueiro de primeira e perito em vodu que transforma o príncipe em sapo para aproximá-los e, a partir daí, gerar toda a confusão que guia o resto do filme.


Veremos como será a reação do público à essa retomada da Disney ao seu estilo tradicional. Com todas as qualidades que tem, ainda assim A Princesa e o Sapo é praticamente um ato heróico, mesmo com a grife que carrega. Mas é cada vez mais difícil por parte do público não associar filmes de animação a computadores. Pior até. Ultimamente se ao entregar o ingresso antes de ver um filme de animação não se receber um óculos para entrar na sala, o público pode até ter uma certa reação de estar sendo enganado. E os valores apregoados pelo estúdio também não andam muito na moda.

Fato é que, se A Princesa e o Sapo não pegar, então há o grande risco de os filmes de animação tradicional ficarem relegados aos puristas, saudosistas, especialistas da área e crianças que não fazem distinção sobre 2D e 3D e querem apenas se divertir. Seria uma pena. Afinal, fantasia por fantasia, entre os doces e divertidos bichinhos da Disney e vampirinhos bobocas que brilham como purpurina ao sol, não há dúvida que há muito mais risos, sentimentos e qualidades nos primeiros.

 



Escrito por Kleber Macedo às 02h39
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Que campeonato foi esse?

Aproximadamente 25 minutos do segundo tempo de quase todos os jogos do domingo da última rodada do Campeonato Brasileiro de 2009 e, contra todos os prognósticos da semana, a única certeza que se tinha era a de não se ter certeza nenhuma sobre quem seria o campeão, quem iria para a Libertadores e quem cairia para segunda divisão. Até então, o Internacional era o campeão, o São Paulo vice, Palmeiras em quarto ia para a Libertadores 2010 e o Botafogo, junto com o Santo André, completava as duas últimas vagas do rebaixamento. Não demorou muito para tudo mudar e, no final, apenas a queda do Santo André se confirmar.


E foi aos 25 minutos que Petkovic, extenuado e quando seria substituído, bateu escanteio para Ronaldo Angelim subir mais que a zaga do Grêmio e fazer o gol que viria a garantir o sexto título nacional do Flamengo. Tivesse Pet saído um lance antes, sabe-se lá o que teria acontecido. Típico pequeno detalhe que faz do futebol o que é.

A verdade é que o título ficou em boas mãos. Conduzidos por Petkovic e Adriano, o Flamengo fez um ótimo segundo turno, ganhou de todos os adversários diretos e dos times que rondavam a zona de rebaixamento. Não patinou como outros e ficou apenas esperando o seu momento de agarrar a ponta da tabela que já foi de tanta gente. E chegou lá quando não dava mais tempo de deixá-la escapar. E olha que o Grêmio, ao contrário do que todos diziam, tentou honestamente atrapalhar a festa flamenguista, honrando a camisa gaúcha e deixando ainda mais legal o final do campeonato.


Aos demais, restou fazer a obrigação e esperar o improvável, um tropeço do Flamengo. Internacional e São Paulo ganharam de goleada seus jogos e, principalmente a torcida do Inter, ficaram na expectativa até o último momento. No Morumbi, numa tarde muito feliz de Washington que fez três gols que podem ajudar numa possível renovação de contrato, a torcida reconheceu a recuperação do Tricolor no campeonato e a seriedade no último jogo e, numa atitude muito bacana, incomum até, ovacionou alguns jogadores, e ficou um bom tempo após o término da partida aplaudindo o time e cantando o hino e cânticos de arquibancada. Eu, claro, dei minha contribuição ao côro como vocês já deveriam imaginar.


Dos que buscavam a taça, restou o Palmeiras. Líder por 19 rodadas, de repente o time entrou em parafuso e não é que patinou. Simplesmente jogou uma âncora e não saiu mais do lugar. Perdeu para o Botafogo, que se salvou do rebaixamento, e viu o que lhe parecia impossível aconter. Com uma vitória do Cruzeiro sobre o Santos, o Palmeiras foi superado e, confirmando sua condição de grande decepção do campeonato, ficou fora da Taça Libertadores da América de 2010. Vai sobrar indignação e faltar explicação plausível para o que aconteceu com o Alvi-verde.


E o que dizer do Fluminense? Passou boa parte do campeonato lutando pra não ir parar na lanterna, variando entre penúltimo e antipenúltimo colocado. E quando todos davam o Tricolor carioca como morto, disparou a ganhar, comandados pelo ótimo Fred, e numa recuperação fenomenal, se salvou na última rodada ao empatar com o Coritiba, empurrando este último para a série B. E nem a lamentável pancadaria protagonizada pela torcida curitibana pode mudar isso. E em tempos em que jogar um chinelo no campo pode dar uma bela pena para o clube, uma patacoada deste tamanho tem que trazer seríssimas consequências.

Pra quem ainda duvida da emoção que pode ter um campeonato de pontos corridos, me parece que o Brasileirão deste ano foi uma ótima resposta. Lógicamente será difícil algo como vimos nesta última rodada se repetir... ou não. Depois de tantas possibilidades, variações, frustrações, altos e baixos, alternâncias, confusões, polêmicas e emoções, fica difícil emitir um juízo desse tipo e só resta dizer "que campeonato foi esse?"

Parabéns ao Flamengo, um salve a Botafogo e Fluminense, valeu São Paulo e que venha logo 2010, porque tarde de domingo sem futebol é um tédio.

 



Escrito por Kleber Macedo às 02h24
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Os malditos do Garagem atacam novamente.

Há pouco mais de dois anos, os fãs tupiniquins de rock alternativo ficaram orfãos daquele que se autoproclamava (e era mesmo) "o programa mais maldito do rádio brasileiro". Com humor ácido, politicamente incorreto e convidados os mais controversos, o "Garagem" era um dos carros chefes da antiga Brasil 2000. Mas perdeu seu espaço em rádio, foi parar na internet, mais precisamente na TV Uol, e definhou.

Para sorte de nossos ouvidos no entanto, desde setembro último André Barcinski e Paulo César Martin voltaram a atacar pelo Showlivre.com, também do Uol, e já estão caminhando para o nono programa, todos com os devidos quadros e personagens como Fábio Nipoluso, o único japonês torcedor da Portuguesa, e a implacável "Ana Maria Broca", que sempre nos salva de alguma porcaria sonora no final do programa.

O Garagem é um programa único. Não sei de outro capaz de tocar num mesmo bloco Sonic Youth, New Order, Ataulfo Alvez e Claudio Maksoud. Na volta de cada sequência musical ou início de bloco, o pessoal da mesa de som solta umas pérolas absolutamente intragáveis do calibre de "Patric eu te amo", gravada pela ex-Chacrete Vera Furacão. Não contentes, eles deixam essas sonzeiras rolando de background, pra sacanear mesmo.

Graças aos benefícios que só a internet traz, os primeiros oito programas, com mais de duas horas de duração cada, estão disponíveis para download ou ouvir direto no site. Novas edições irão ao ar toda sexta-feira. Além disso, estão disponíveis no site alguns programas clássicos e momentos inesquecíveis. É impossível ouvir um só.

Vida longa à volta do Garagem.

Para ouvir os programas, clique aqui.



Escrito por Kleber Macedo às 13h31
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